quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Palavra de Deus é em Tudo Verdade

68 - A Palavra de Deus é em Tudo Verdade

As Tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio. Sal. 119:160.

Em 1880, William M. Ramsay, erudito inglês e admirador de Julius Wellshausen (o pai da alta crítica bíblica), foi à Frígia, na Ásia Menor, para contradizer a história de Lucas registrada em seu evangelho e no livro de Atos. De início, ele foi despertado de sua ilusão por um estudo de Atos 14:6, que declara que se passa a fronteira da Licaônia, indo de Icônio para Listra.

A declaração de Lucas era contrária à opinião da maioria das modernas autoridades em geografia, e parecia contradizer escritores antigos. Mas, enquanto Ramsay estudava as inscrições, ele compreendeu que o autor de Atos sabia mais da antiga geografia da Frígia do que os críticos modernos. Em todas as outras declarações do fato na história de Lucas, Ramsay encontrou uma exatidão tão surpreendente, que em 1915 declarou que "a história de Lucas é incomparável no que se relaciona à sua confiabilidade". Tão convincente foi a evidência descoberta por Ramsay, que ele se tornou cristão e um intrépido defensor da Bíblia.

Aquilo que o Sr. Ramsay descobriu a respeito de Lucas é essencialmente verdadeiro quanto ao restante da Bíblia - a Palavra de Deus é em tudo verdade. À luz das descobertas arqueológicas, o já falecido William F. Albright, considerado por muitos como o mais eminente arqueólogo do Oriente Próximo de sua época, reconheceu que "dados arqueológicos e inscrições têm estabelecido a historicidade de inúmeras passagens e declarações do Antigo Testamento; o número desses casos é muitas vezes maior do que o daqueles onde se prova o contrário". Naqueles poucos exemplos em que os eruditos consideram a Bíblia incorreta, o cristão pode aguardar ainda um julgamento. A pá dos arqueólogos continua confirmando o Livro.

Alguns críticos gostam de indicar que os manuscritos da Bíblia contêm umas 50.000 variantes. A quase totalidade dessas é de menor importância, como as variações na maneira de escrever uma palavra - e nenhuma delas afeta a nossa salvação. A esmagadora evidência é que para todos os propósitos práticos a Bíblia é totalmente verdade. A Bíblia pode ser "imperfeita" para os padrões humanos, mas é perfeita para o seu propósito - a salvação das nossas almas (ver I S. Ped. 1:9).

A Palavra de Deus é Poderosa

Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. Heb. 4:12.

Talvez nem sempre percebamos o fato, mas existem tremendas reservas de energia ao nosso redor. Por exemplo, calcula-se que um relâmpago médio libera cerca de um bilhão de watts de energia em cada descarga. Em anos recentes, os cientistas começaram a entender como ocorre essa liberação.

As cargas elétricas começam a avolumar-se nas nuvens do tipo cúmulos-nimbos quando o ar quente e úmido entra em contato com ar frio e seco. Essa interação produz um desequilíbrio das cargas elétricas. A parte inferior do cúmulo de trovoada se torna carregada positivamente, ao passo que a terra tem carga negativa. À medida que as cargas se acumulam e se atraem, correntes de elétrons disparam da terra na direção da nuvem e depois recuam, mas em cada avanço chegam um pouco mais perto da nuvem. Quando chega o ponto em que é vencida a resistência do ar, uma enorme carga de eletricidade salta pela "trilha" assim preparada, e nós a vemos como a cintilação do relâmpago.

Os cientistas calcularam que a terra é atingida por raios cerca de 16 milhões de vezes por ano, aproximadamente uma vez a cada dois segundos. A maior concentração dessas poderosas descargas ocorre na Indonésia, onde as tempestades elétricas acontecem em 222 dos 365 dias do ano.

Deus é uma fonte infinitamente maior de energia do que qualquer relâmpago, mas durante a maior parte do tempo nem sequer temos consciência desse poder. "Os céus por Sua palavra se fizeram, e pelo sopro de Sua boca o exército deles. ... Pois Ele falou, e tudo se fez; Ele ordenou, e tudo passou a existir." Sal. 33:6 e 9. Mas não só a palavra falada de Deus contém energia; a Sua palavra escrita é igualmente poderosa.

Assim como a nuvem tem um papel a desempenhar na liberação de energia elétrica, assim também nós temos um papel no que se refere a experimentar o poder espiritual reservado na Palavra de Deus. Ao esquadrinharmos essa Palavra e buscarmos a Deus "tateando" (Atos 17:27), o Seu poder transformador haverá de manifestar-se em nossa vida.

Esconder a Palavra de Deus no Coração
Naqueles dias a palavra do Senhor era mui rara; as visões não eram freqüentes. I Sam. 3:1.

Em seu livro In the Presence of Mine Enemies (Na Presença dos Meus Inimigos), escrito em co-autoria com sua esposa Phyllys, o Capitão Howard Rutledge conta como descobriu a preciosidade da Bíblia num campo de prisioneiros de guerra no Vietnã do Norte, onde passou sete anos. Aqui estão algumas citações de seu livro:

"Eu havia negligenciado completamente a dimensão espiritual de minha vida. Foi necessário o aprisionamento para mostrar-me como era vazia a minha vida sem Deus. ...

"Tentei desesperadamente lembrar-me de porções das Escrituras, de sermões, de corinhos evangélicos da infância e de hinos que cantávamos na igreja. ...

"Como lutei para recordar aqueles versículos bíblicos e hinos! ...

Desafortunadamente, eu não tinha visto a importância de memorizar versos da Bíblia ou cânticos. Nunca imaginei que fosse passar sete anos (cinco dos quais em confinamento solitário) numa prisão do Vietnã do Norte ou que o simples fato de pensar em um verso memorizado pudesse tornar um dia inteiro mais suportável. A parte do versículo que eu havia decorado era: 'Guardei a Tua palavra no meu coração.' Com que freqüência desejei ter realmente feito um esforço para esconder a Palavra de Deus no coração!" - Págs. 34-38.

Tendo passado três anos como prisioneiro de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, posso entender os sentimentos do Capitão Rutledge. Logo nos primeiros dias depois de nosso encarceramento, e nos últimos dias antes de nossa libertação, quando a morte e a fome andavam de emboscada na terra, a Palavra de Deus foi muito preciosa para mim. Lembro-me de ter memorizado o Salmo 33:18 e 19: "Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que O temem, sobre os que esperam na Sua misericórdia, para livrar-lhes a alma da morte, e, no tempo da fome, conservar-lhes a vida."

A Bíblia nos adverte de que virão dias em que haverá "fome sobre a Terra, não de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor". Amós 8:11. Quão preciosa, então, nos será a Palavra de Deus! E quão importante é que, nestes dias de relativa paz e prosperidade, entesouremos a Sua Palavra em nosso coração! (Sal. 119:11).

Julgados Pela Palavra

Quem Me rejeita e não aceita a Minha mensagem já tem quem vai julgá-lo. As palavras que Eu tenho dito serão o seu juiz no último dia. S. João 12:48 (BLH).

Relata-se que alguns anos atrás dois turistas americanos olhavam um famoso quadro em um dos grandes museus da Europa, quando um deles comentou com desprezo:

- Eu não daria um centavo por essa pintura.

Um guarda por acaso ouviu o comentário, dirigiu-se ao crítico, deu-lhe um tapinha no ombro e disse:

- Senhor, essas telas não estão em julgamento. Mas o senhor está.

Outro tipo de crítico gosta de colocar a Bíblia em julgamento. Muitos anos atrás, quando eu trabalhava como colportor em São Francisco para pagar a faculdade, um idoso senhor começou a conversar comigo num bonde, enquanto voltávamos para casa. Ele queria saber o que eu fazia para me sustentar. Contei-lhe que vendia Bíblias e outros livros religiosos. Jamais me esquecerei da reação dele: "A Bíblia é um dos livros mais imundos conhecidos pelo homem." Talvez eu devesse ter desafiado aquele senhor a explicar sua declaração, mas não o fiz. Simplesmente encerrei a conversa ali mesmo.

Há pessoas que parecem ter satisfação em depreciar a Bíblia. Algumas delas até professam ser cristãs. Essas pessoas aparentemente estudam a Bíblia, não para obter compreensão espiritual, mas para exibir intelectual perspicácia. A Bíblia as descreve como pessoas que ultrapassam o que está escrito (ver I Cor. 4:6). Presumem estar encarregadas de julgar a Palavra de Deus. O que não percebem é que um dia essa mesma Palavra as julgará.

A Palavra as julgará? Como pode ser isso? Veja:

Os estudiosos da mente dizem que tudo aquilo de que nos tornamos conscientes fica armazenado na memória e precisa apenas do devido estímulo para ser reavido. O Espírito Santo está ao lado de todo estudante das Escrituras, seja ele um sincero inquiridor da verdade ou um sofista, e lhe produz convicção na consciência. Essas convicções, armazenadas na memória, levantar-se-ão no último dia para condenar o cavilador e louvar o sincero pesquisador da verdade.

Quão importante, então, é que obedeçamos às convicções que o Espírito Santo produz em nossa mente ao estudarmos a Bíblia! Lembre-se de que essas convicções estarão sempre em harmonia com a Palavra de Deus.

Qual é o Valor da Palavra de Deus Para Você?

Nunca me afastei dos mandamentos de Deus e guardei as ordens que Ele deu bem gravadas na memória. Jó 23:12 (A Bíblia Viva).

Na virada do século dezenove, uma pobre menina galesa, chamada Mary Jones, distinguiu-se na escola dominical por sua prontidão para memorizar e repetir grandes porções das Escrituras. A Bíblia era um livro raro naquele tempo. A pessoa mais próxima que possuía um exemplar, morava a quase quatro quilômetros da casa dela. O maior desejo de Mary era ter a sua própria Bíblia algum dia. A fim de conseguir isso, ela renunciava a muitas coisas e colocava de parte o pouco dinheiro que economizava daquilo que recebia como tecelã na loja de seu pai.

Depois de vários anos, ela havia juntado dinheiro suficiente para comprar uma Bíblia. Bala, a cidade mais próxima onde Mary podia comprar o precioso Livro, ficava a 40 quilômetros de distância.
Decidida, ela partiu caminhando descalça e levando os sapatos numa bolsa para não gastá-los. Quando chegou à casa de Thomas Charles, o vendedor local de Bíblias, ficou sabendo que ele tinha somente dois exemplares consigo, estando ambos reservados para outras pessoas.
Quando ele informou que não tinha Bíblias à venda, os olhos de Mary encheram-se de lágrimas. O Sr. Charles ficou tão comovido com a decepção da moça que vendeu a ela um dos exemplares, sabendo que poderia substituí-lo.

Em dezembro de 1802, Charles apresentou diante da comissão da Sociedade de Folhetos Religiosos a urgente necessidade de Bíblias galesas. Naquele encontro, aprovou-se uma resolução que acabou resultando no estabelecimento da Sociedade Bíblica Britânica e Internacional, uma organização que tem promovido a venda de Bíblias a preços razoáveis em todo o mundo.

Desde então, a Bíblia tem sido o livro mais vendido no mundo, ano após ano. Pode ser encontrada na maioria dos lares do mundo ocidental. Infelizmente, em muitos desses lares, ela se encontra em uma prateleira, juntando pó.

Nos dias de Jó, não havia Bíblias como as conhecemos hoje, mas ele valorizava as palavras faladas de Deus mais do que o seu próprio alimento. Não deveríamos nós valorizar a Palavra escrita de Deus do mesmo modo?

Paz
A Paz que CRISTO dá
Eu estou lhes deixando um presente - a paz de espírito! E a paz que Eu dou não é passageira como a paz que o mundo dá. Portanto, não se aflijam nem tenham medo. S. João 14:27 (A Bíblia Viva).

Nas alturas das montanhas dos Andes, na América do Sul, há uma estátua de bronze representando a Cristo. Sua base é de granito. A imagem foi fundida a partir de velhos canhões. Gravadas em espanhol, estão estas memoráveis palavras: "Será mais fácil que estas montanhas se desfaçam em pó, do que argentinos e chilenos quebrarem o concerto de paz firmado aos pés de Cristo, o Redentor."

Desde a década de 1840, os povos desses dois países tinham estado em conflito por causa de suas fronteiras. Em 1900, quando uma das contendas estava no auge, alguns cidadãos imploraram para que seus líderes pedissem que o rei Eduardo VII, da Inglaterra, fosse o mediador do conflito. Ambos os governos concordaram, e como resultado o Chile e a Argentina assinaram um tratado encerrando a disputa no dia 28 de maio de 1903.

Durante os festejos que se seguiram, a Sra. Costa, uma distinta dama argentina, concebeu a idéia de um monumento comemorativo do tratado e sugeriu que os canhões usados na guerra fossem derretidos e moldados na imagem de Cristo, o Príncipe da Paz. Na cerimônia de inauguração, a estátua foi apresentada ao mundo como um testemunho do desejo que os cidadãos de ambos os países tinham pela paz.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Perseguidos por causa da justiça

Perseguidos por causa da justiça

 
"Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós." (Mateus 5:10-12)
Estamos caminhando para o fim do nosso estudo sobre as bem-aventuranças, trazendo hoje a última das características do caráter cristão propostas por Jesus no Sermão do Monte.
Na bem-aventurança anterior Jesus nos ensina sobre a pacificação e nos incentiva a manter a paz com todos os homens, no que depender de nós. Mas não dá prá negar que, por mais que nos esforcemos para isso, há determinadas pessoas que se recusam a viver em paz conosco, não necessariamente por causa de nós, mas porque não gostam da justiça, da qual temos sede e fome, e porque rejeitam a Cristo, a quem procuramos seguir. E em função disso surgem as perseguições, calúnias, injúrias e todo tipo de mal contra nós, simplesmente por causa de Cristo.
E a pergunta é: Como reagir diante de tudo isso? Como Jesus esperava que seus discípulos reagissem diante da perseguição? Ele mesmo responde no versículo 12: "Regozijai-vos e alegrai-vos...".
A nossa atitude não dever ser de vingança ou mal humor, nem de autopiedade lambendo as próprias feridas, ou ainda de masoquismo como se estivéssemos gostando disso tudo. Devemos nos alegrar como um cristão.
Sei bem que tudo isso soa no mínimo estranho aos nossos ouvidos, mas faz sentido por alguns motivos.

Primeiro motivo:
é grande o nosso galardão nos céus. Podemos perder tudo nessa terra, mas herdaremos tudo nos céus.
Segundo motivo:
porque a perseguição é sinal da genuidade da nossa fé; um certificado de autenticidade cristã. Foi assim com os profetas que viveram antes de nós.
Principal motivo:
o principal motivo pelo qual devemos nos orgulhar de estarmos sofrendo, como disse o próprio Jesus: "É por minha causa" (verso 11), por causa da nossa lealdade para com ele e com seus padrões de verdade e justiça. Essa era a convicção que estava no coração dos discípulos. Quando açoitados por pregarem o nome de Jesus, saíram do sinédrio "regozijando-se porque tinham sido julgados dignos de padecer pelo nome de Jesus" (Atos 5:41). Eles sabiam que ferimentos e contusões são medalhas de honra.
Vale ressaltar que o texto chama de bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça e não por causa da estultícia que é o mesmo que tolice ou insensatez.
Cada cristão deve ser um pacificador e cada cristão deve esperar oposição. Da mesma maneira que o discípulo deve ser humilde de espírito, manso, limpo de coração, ele com certeza há de sofrer perseguições por causa da justiça e de Cristo. Aqueles que têm fome e sede de justiça sofrerão por causa da justiça que anseiam. Jesus disse que seria assim em qualquer lugar. Não devemos nos surpreender se a hostilidade anti-cristã aumentar, mas se ela não existir. Como diz Lucas: "Ai de vós, quando todos vos louvarem!" (Lucas 6:26). A popularidade está para os falsos profetas assim como a perseguição para os verdadeiros.
As bem-aventuranças pintam um retrato compreensivo do discípulo cristão. Primeiro, vemo-lo de joelhos diante de Deus, reconhecendo sua pobreza espiritual e chorando por causa dela. Isto o torna manso ou gentil em todos os seus relacionamentos, considerando que a honestidade o compele a permitir que os outros pensem dele aquilo que, diante de Deus, já confessou. Mas, longe dele aquiescer em seu pecado, pois ele tem fome e sede de justiça; anseia crescer na graça e na bondade. Vêmo-lo, depois, junto aos outros, lá fora, na comunidade humana. Seu relacionamento com Deus não o faz fugir da sociedade nem o isola do sofrimento do mundo. Pelo contrário, permanece no meio deste, demonstrando misericórdia àqueles que foram golpeados pela adversidade e pelo pecado. Ele é transparentemente sincero em todos os seus relacionamentos e procura desempenhar um papel construtivo como pacificador. Mas ninguém lhe agradece pelos esforços; antes, é hostilizado, injuriado, insultado e perseguido por causa da justiça que defende, e por causa do Cristo com o qual se identifica.
Tal é o homem ou mulher que é "bem-aventurado", isto é, que tem a aprovação de Deus e alcança realização própria como ser humano.
Qualquer pessoa que entre em comunhão com Jesus tem de passar por uma reavaliação de valores. Nas bem-aventuranças, Jesus apresenta um desafio fundamental ao mundo cristão e exige que seus discípulos adotem o seu sistema de valores, totalmente diferente.
A cada nova bem-aventurança aprofunda-se o abismo entre os discípulos e o povo. Jesus está falando daqueles que não sintonizam com o mundo, os que não podem equiparar-se ao mundo. Choram sobre o mundo, sua culpa, seu destino e sua sorte. Enquanto o mundo festeja, ficam à parte; enquanto o mundo chama: "Gozai a vida", os discípulos choram. O mundo sonha com o progresso, com o poder, com o futuro --- os discípulos sabem do fim, do juízo e da vinda do reino dos céus para o qual o mundo não está apto. Por esta razão são os discípulos estranhos ao mundo, hóspedes indesejáveis, perturbadores que são rejeitados.
Tal inversão dos valores humanos é básica na religião bíblica. Os métodos do Deus das Escrituras parecem uma confusão para os homens, pois exaltam o humilde e humilham o orgulhoso; chamam de primeiros os últimos e de últimos os primeiros; declaram que os mansos serão seus herdeiros. A cultura do mundo e a contracultura de Cristo estão em total desarmonia uma com a outra. Resumindo, Jesus parabeniza aqueles que o mundo mais despreza e chama de "bem-aventurados" aquele que o mundo rejeita.
Observação: Este texto inclui inúmeras citações da obra Contracultura Cristã, de John Stott.

Dizer "eu te amo" é coisa séria!

Dizer eu te amo é coisa séria


Dizer eu te amo é coisa séria
Uns 20, 30 anos atrás, em geral nem os pais costumavam declarar com todas as letras o quanto amavam seus filhos. Amavam, sim. E muito! Mas não diziam. Apenas demonstravam, na maioria das vezes! Entre os casais, então, o tão esperado eu te amo costumava ser dito e repetido somente na fase da paixão, e olhe lá, com digamos, excessiva cautela.

Olhar nos olhos de alguém e dizer eu te amo costumava equivaler como selar um compromisso. A pessoa teria que, de fato, tornar-se responsável por quem cativou, como imortalizou Saint Exupery em seu maravilhoso livro O Pequeno Príncipe.

Mas como sabemos, as gerações se complementam, a cultura é dinâmica e os tempos mudam. Hoje, essa declaração chega a ser quase como um cumprimento diário, em muitos casos. Os adolescentes, então, esfuziantes que são, não se cansam de se declarar aos amigos, ficantes e namorados todo o amor que têm pra dar!

Há quem considere essa prática um abuso, sem sentido e sem consistência. Banalizaram os sentimentos, justificam-se os mais críticos e reservados. Em alguns casos, pode até ser, mas não apostaria nesta conclusão assim, tão precipitadamente.

Claro que tem gente que fala sem sequer imaginar como é que se sente e, principalmente, como é que se pratica o amor de verdade. Essas pessoas, sim, certamente estão desconsiderando a profundidade e responsabilidade que o amor pede. E quando é assim, concordo: é preciso um tantinho de pudor com o amor, porque é coisa séria!

Por outro lado, embora seja coisa séria, também acredito que deva ser coisa leve, gostosa, espontânea, fluida. E sendo assim, talvez não precisemos resistir tanto às declarações, embora devamos, sim e sempre, fazê-las de modo sincero e consciente, sabendo o que estamos dizendo.


Resumindo: é possível amar muito mesmo! E que bom que seja assim. Mas vale lembrar que uma declaração, quando feita em alto e bom som, toca o outro e gera nele uma expectativa (ou várias). O modo como você diz eu te amo pode ser compreendido de diversas formas, dependendo de quem ouve.

Portanto, mais do que ficar julgando a quantidade de vezes que as pessoas têm declarado seu amor, penso que o importante é sugerir uma reflexão: além das palavras, de que forma temos demonstrado amor? Temos sido pacientes e tolerantes com nossos amados? Temos ouvido o que eles dizem e nos interessado pelo que eles sentem? Temos nos disponibilizado para fazê-los felizes?

Imperfeitos que somos, certamente cometeremos erros, mesmo amando. Mas se nos tornarmos e nos mantivermos atentos agora, hoje, e durante o maior tempo que conseguirmos, talvez consigamos compreender que dizer eu te amo é como colocar um lindo laço sobre um presente. Muito bom! Mas o presente sempre é o que somos. E somos, fundamentalmente, o que fazemos, muito mais do que o que falamos. Tal qual, sabiamente, escreveu Ralph Waldo Emerson: O que você faz fala tão alto que não consigo escutar o que você diz.

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Este artigo foi escrito por:

Dra. Rosana Braga
fonte: http://msnencontros.parperfeito.com.br/Artigos/opshow/articleid916/p-1/f-1/n-1/?utm_source=msnencontros&utm_medium=Sejamais&utm_campaign=art1_coisaseria_nov1/2&orig=1468&id=640300&ppBanner=1

sábado, 19 de novembro de 2011

Onde está a nossa fé? por Vinicius Feitosa

Onde está a nossa fé?

Depois de muito tempo sem postar por uma questão muito simples, o próprio tempo, estou aqui novamente. Voltei por conta de uma pergunta: Onde está a nossa fé?
Em meio a madrugada essa pergunta me deixou intrigado e principalmente pensativo a respeito de onde estaria minha própria fé. Somos ensinados a fazer muitas coisas e agir de várias formas diferentes e isso também ocorre em relação a fé. Nos ensinam que devemos orar, que somos feitos a imagem e semelhança de Deus, que somos mais que vencedores, que a Bíblia é a Palavra de Deus e por ai vai. Cremos nisso e nada disso é mentira, nada é falso. O ponto é onde colocamos o dom que nos liga diretamente a Deus? Onde colocamos nossa fé?
Francamente, vejo grandes movimentos evangélicos… “Feitos”, “proezas”, “maravilhas” e em nenhum momento consigo enxergar Jesus nesses movimentos, parece apenas a demonstração de força de um determinado grupo ou simplesmente querer se tornar visível para os demais. Entre muitas coisas que não sei, uma sei, que Jesus não queria um grupo gigantesco e forte, na verdade quer um coração que creia Nele. Devíamos muito no que cremos, devíamos muito o centro de nossa fé. Em busca de uma identidade, esquivamos do que realmente deve nos identificar. Somos vistos como “os que crescem”, “os que não podem fazer isso ou aquilo”, “os certinhos”. Em nenhum momento somos identificados como cristãos e isso ocorre porque temos constantemente nos desviado do que realmente importa.
Respondendo a pergunta “Onde está a nossa fé?”, ela está no dogma, na tradição e muitas vezes em nós mesmos e em como nos achamos especiais. Vale lembrar que para Deus não há dogma, não há tradição maior que a obediência a Ele e que o Senhor não precisa de nós, muito pelo contrário.
Meu convite é somente para que você faça como eu e pense, “Onde está a minha fé?” e encontre sua verdadeira identidade. Se houver alguma dúvida de onde coloca-la, segue a dica de Atos.
“…Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa.”
Atos 16:31
Não coloque sua fé em pessoas, grandes eventos, prédios bonitos ou tradições humanas. Creia em Jesus, deposite sua fé em Jesus, Ele não falha, não acaba e não te abandona.
Que Deus nos abençoe.

Sobre Vinicius Feitosa

VINICIUS FEITOSA Bacharel em Teologia, formado pelo Seminário Teológico Maranata. É professor de Escola Bíblica e entusiasta no estudo minucioso da Bíblia Sagrada e do hebraico antigo. Calvinista e fã do argumento ontológico, hoje dedica-se ao desenvolvimento do pensamento lógico e ao estudo da Teologia Sistemática. Congrega na Igreja Missionária Evangélica Maranata, onde atua no ministério infantil junto aos Juniores.
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O chamado de Maria por Pr. Eber Jamil

O CHAMADO DE MARIA.


Lucas 1
26 E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27 A uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. 28 E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres. 29 E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras, e considerava que saudação seria esta. 30 Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus. 31 E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pór-lhe-ás o nome de Jesus. 32 Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; 33 E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. 34 E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum? 35 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. 36 E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; 37 Porque para Deus nada é impossível. 38 Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.
Se eu fosse chamado para pregar sobre o chamado ministerial, pensaria logo em Moisés, Jeremias, Isaías e Gideão. Em minha opinião são as passagens mais clássicas de chamada ministerial. Entretanto, fiz uma leitura de Lucas sobre o Natal, e me deparei com a passagem acima, onde o anjo Gabriel fala a Maria sobre a sua missão. Encontrei neste diálogo também uma chamada ministerial, que no caso de Maria envolvia a maternidade. Elementos que encontramos na chamada de Moisés, Jeremias, Isaías e Gideão, encontramos na chamada de Maria. Quero em forma de esboço, destacar as principais características do chamamento de Maria.
1◦) Maria foi escolhida por Deus.Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.”
Dentre as mulheres da terra, Maria foi “pinçada” por Deus e escolhida para ser a mãe de Jesus. Assim todo aquele que é chamado por Deus também é um escolhido. O critério para a escolha é a Graça de Deus (agraciada), ou seja, um favor imerecido. O vocacionado por Deus precisa ser humilde. Precisa reconhecer que Deus por sua graça o escolheu.
2◦) O receio de não corresponder ao chamado. E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras, e considerava que saudação seria esta. Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus.”
Maria estranhou as palavras do anjo e teve receio. Na Bíblia vemos que os vocacionados olham para suas habilidades e não se acham a altura da missão. Moisés, Jeremias, Isaías e Gideão também acharam isto. Entretanto, como Gabriel disse a Maria é uma escolha da Graça de Deus. O chamamento não é meritório, mas sim, uma escolha deliberada da Graça de Deus.
3◦) A missão terá repercussões abrangentes e eternas. E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pór-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.”.
A tarefa dada a Maria tinha implicações abrangentes e eternas. Às vezes achamos que o nosso chamado está restrito a certo “gueto” e “viela”, porém aquilo que se sucederia em Belém, atingiu todo planeta. Não podemos restringir o poder de Deus a certos espaços. Quando ganhamos uma vida para Jesus isto tem repercussões abrangentes e eternas.
4◦) A capacitação vem do Espírito de Deus. E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum? E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; Porque para Deus nada é impossível.”
Maria era virgem, como ela poderia gerar? O anjo responde: o Espírito do Senhor fará isto. A capacitação do vocacionado vem do Espírito. Os receios e os sentimentos de inadequação do vocacionado são vencidos pela capacitação sobrenatural do Espírito. Para Deus não há impossível.
5◦) O vocacionado precisa ser disponível e pronto para cumprir a missão. Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.”
Maria se dispôs como serva. Entendeu sua vocação e mostrou disposição em cumprir cabalmente o seu ministério. Mostrou ser obediente e disse: eis me aqui. Você, meu irmão e irmã, deixem os receios de lado e obedeça. O Senhor será contigo e O Espírito Santo te capacitará.
(O autor do texto é o Pr Eber Jamil).

Sobre Eber Jamil

Sou pastor Batista Nacional desde 1994. Leciono história da Igreja e Teologia Sistemática, atuo no ministério de ensino na Igreja que sou membro.